Mountain Do – Volta da Lagoa 2009

Em busca de correr provas diferentes e continuar motivado, escolhi correr a Moutain Do da Lagoa. É uma prova com um bom nível de dificuldade, com uma extensão interessante (um pouco mais de 70 km) e a possibilidade de correr em dupla. A escolha natural foi o Alexei, meu eterno parceiro de aventuras.

E como não só de corredores vive uma equipe, em Floripa teríamos o apoio logístico do Jean, que nos receberia em sua casa e seria o motorista para fazer o leva e traz dos atletas nos diversos pontos de troca.

Na sexta, dia 17/10 fizemos o trivial de ir buscar os kits e assistir o congresso técnico. Vi algumas imagens e já percebi que teria de fazer um “trabalho sujo” no dia seguinte.

E no sábado bem cedo já estávamos despertos e prontos para nos divertir. Pontualmente as 8 horas iniciamos o percurso que daria uma volta completa na Lagoa da Conceição. Passaríamos por asfalto, terra, trilhas, praias e dunas. O trajeto é dividido em 8 etapas e pode ser corrido em dupla, quarteto ou octeto. Como o Alexei já tinha corrido na edição do ano passado, também em dupla, ele pediu para correr os trechos que não tinha feito. Por mim tudo bem, tudo seria novidade mesmo. Assim, eu fiquei com os trechos 1, 2, 5, e 7.

O começo foi tranqüilo, por ruas asfaltadas e estradas de chão. Era possível até mesmo correr o km para baixo de 5’ de ritmo. Pegamos apenas um pequeno trecho de trilha até o primeiro posto de troca, onde eu “dobrei” e continuei a correr. Já o próximo foi bem mais técnico, com muitas subidas em trilhas e, por conseqüência, muitas descidas. Passei por diversos riachos e mata praticamente intocada. Nem dava para acreditar que estava a poucos minutos do centro da cidade. Floripa é realmente um paraíso.

Com muita lama para vencer, fui avançando em um ritmo mais lento que das outras equipes que estavam com 4 ou 8 atletas. Eu tinha de ter forças para estes dois primeiros trechos e também para os outros 2. Mesmo com um condicionamento razoável comecei a ter cãibras. Acredito que seja por eu estar com a musculatura quente e de repente ter o pé enfiado na água gelada de algum riacho ou poça de lama. Mas continuei e cheguei até o posto 2 onde o Alexei me aguardava para continuar nosso caminho.

Este posto é interessante. Só se chega nele, e se sai, por barco. Então depois de correr ainda fiz um belo passeio pela Lagoa. Fui até o posto 3 onde o Jean me aguardava e esperaríamos o Alexei passar. Do 3 para o 4 fomos quase todo o tempo o acompanhando. Apenas quando ele entrou na praia é que nos adiantamos e fui me preparar para a troca.

Meu próximo trecho seria quase que totalmente pela praia da Joaquina. Estava apreensivo, pois não sabia como estava a condição da areia para correr. E o Alexei chegou e já foi me avisando: “Quando terminar o asfalto e você chegar à areia, tire o tênis e as meias”. Fiquei olhando para ele com aquela cada de ponto de interrogação e ele completou: “Você vai entender!”. Não sei se sai curioso ou com medo. Correr em areia já é pesado. Se o mar estivesse alto, o desafio seria maior ainda, pois correria descalço e com os pés afundando na água. Acabei o asfalto e vi do que se tratava. A areia estava fofa e não tinha uma faixa de areia compactada, pois o mar estava chegando quase na altura desta faixa de areia onde os pés afundavam e a força para correr era quintuplicada, eu acho. Fiquei uns 2 km sofrendo bastante e tentando achar a melhor maneira possível de vencer aquele obstáculo. Foi aí que notei que tinham alguns corredores saindo da areia da praia e indo correr na ravina que se formava um pouco mais atrás da faixa de areia. Cheguei lá e vi que praticamente todo o percurso era de areia compactada o que permitiu que eu voltasse a correr com boa regularidade. Cheguei à ponta da praia da Joaquina e passei o “bastão” para o Alexei. Eu estava totalmente esgotado. Não conseguia me imaginar recuperado e pronto para o meu último trecho. O Jean até comentou que minha cara não estava das melhores. Acho que ele foi até bonzinho no comentário. Meu problema era que o trecho que o Alexei estava correndo era curto e em breve eu iria correr a parte mais difícil da prova. Mas com um exame de glicemia, matei a charada: 85 mg/dl. Muito baixa para a prática de atividades físicas. Então era comer e me hidratar para recompor as forças.

Meu último trecho sairia da praia Mole e iria até a base do projeto Tamar, que ficava do outro lado de um baita morro. Então sai bem na boa e fui apreciando a paisagem. Não vou me esquecer do visual deste trajeto. Primeiro as praias de água cristalina, depois o morro com um visual do topo simplesmente espetacular. De um lado se via o mar e também a lagoa. E do outro a mesma coisa. Deve ser o ponto mais privilegiado da ilha para se ver de onde veio seu apelido: a ilha da magia.

A descida foi um pouco mais complicada, pois a inclinação era grande. Mas não tomei nenhum susto. Era legal ver os outros corredores que passavam por mim e quando viam que eu estava em dupla, me elogiavam pela coragem de fazer desta forma. Mal sabem eles que nós só estávamos treinando para outros desafios maiores.

Fiz a última troca com o Alexei. O Jean até comentou que parecia que eu estava mais inteiro do que quando finalizei a Joaquina, apesar do grande esforço da etapa. A resposta era a glicemia estar OK.

Fomos aguardar o Alexei na chegada, que era o mesmo local da largada. Apesar de o dia estar feio não tinha chovido até aquele momento. Mas um pouco antes dele chegar começou uma garoa mais forte.

Fui andando na direção de onde ele viria para chegarmos correndo juntos. No percurso cruzo com o atleta de uma dupla. E uns 100m atrás vejo o Alexei chegando. Não tive dúvidas. Ele me perguntou o que eu estava fazendo lá e eu respondi que tinha ido buscá-lo e que aquele atleta à frente era uma dupla. Ele só olhou para mim e balançou a cabeça e já começou a acelerar junto. Estávamos a menos de 1 km da chegada e colocamos um pouco de pimenta na competição. Só para ficar mais divertido. Bem, o resultado foi que passamos o atleta e o último km de nossa participação no Mountain Do tinha sido o mais rápido de todos. J

De resto foi só comemorar e já pensar e sonhar com muitas outras provas assim. Ficamos na 10ª colocação entre as duplas (chegaram 12) e em 123º no geral (chegaram 140). Tempo total oficial de 9h16’.

Glicemias:

01:00 = 42; 6:20 = 85; 7:39 = 257 (largada); 8:50 = 149 (PC1); 10:16 = 122 (PC2); 12:34 = 223 (PC4); 14:10 = 85 (PC5); 14:35 = 126 (PC6); 16:18 = 101 (PC7); 18:09 = 90 (chegada); 22:20 = 83.

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Comentários (2)

 

  1. Jean disse:

    Cara,
    Show de bola, altas prova!
    Ano que vem tem de novo!!!

    Abraços!

    Jean

  2. Claudine disse:

    Ola Bellon!!
    Nossa te admiro bastante sabia? Apesar da Diabetes e vc nao se deixar abater p isso, vejo tanta gente q se revolta com a doenca e qdo olho p vc vejo q nao existem obstaculos!!! E q se tiver, devemos contorna-los ne verdade??
    Eu so queria saber qual o segredo de manter essas glico normais, apesar de tanto esforco fisico ??
    BJos e que Deus te abencoe amigo!!!

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